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Alto Paraopeba precisa de R$ 2,1 bi para escapar do caos

Gargalos nos vários setores podem acontecer dentro de dois anos. Conselheiro Lafaiete, Congonhas e região terão gigantescos complexos industriais.

Helenice Laguardia  >>    Publicado no Jornal OTEMPO em 27/08/2010

 

 Investimentos de R$ 2,1 bilhões separam sete municípios da região do Alto Paraopeba, em Minas Gerais, do caos logístico. Saúde, educação, habitação e segurança correm o risco de entrar em colapso, apesar do crescimento econômico que a injeção de cerca de R$ 20 bilhões em projetos de mineração e siderurgia vai levar à região.

Os sete municípios que formam o Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento do Alto Paraopeba (Codap) e que serão os mais atingidos são Belo Vale, Jeceaba, Entre Rios de Minas, São Brás do Suaçuí, Congonhas, Ouro Branco e Conselheiro Lafaiete.

O cálculo dos recursos necessários à região faz parte do Plano de Desenvolvimento Regional para o Alto Paraopeba, encomendado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana (Sedru) por R$ 250 mil ao Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O estudo será apresentado hoje, em Conselheiro Lafaiete, a 96 km de Belo Horizonte.

  O diretor de projetos regional da Sedru, Felippe Ferreira de Mello, admitiu que os investimentos para evitar o apagão no Alto Paraopeba devem sair dos cofres dos governos estadual, federal, iniciativa privada e prefeituras. "Isso é um estudo para a região crescer de forma sustentada. O Estado não vai aportar recursos de uma só vez porque é muito dinheiro. É um ponto de partida para as políticas", explicou.

As cidades da região receberão pesados investimentos de grandes empresas como Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Vale, Gerdau e Vallourec. Tais projetos devem gerar mais de 65 mil empregos na região, aumentando a renda e a densidade demográfica no local. Com isso, a demanda por logística, moradia, mobilidade humana, saúde e educação vai aumentar consideravelmente.

O vice-presidente do Codap e prefeito de Conselheiro Lafaiete, José Milton de Carvalho Rocha, afirmou que os gargalos nos vários setores podem acontecer dentro de dois anos, quando todos os investimentos das empresas estiverem implementados. "Em volume de recursos e produção futura de aço, seremos o novo Vale do Aço, com potencial maior, mais riqueza e prosperidade. Aqui tem mineração e siderurgia juntos".

 Metrópole: C. Lafaiete deverá abrigar grande parte   dos novos moradores da região. Foto: Prefeitura de Conselheiro Lafaiete

Para o prefeito de Conselheiro Lafaiete, a cidade vai ter os maiores reflexos. "É para cá que convergem as maiores demandas e serviços públicos. Mas as receitas geradas vão para os municípios onde estão instalados os investimentos", protestou. De acordo com ele, em Congonhas, estão projetos grandiosos da Vale, CSN e Gerdau. A produção de tubos da Vallourec vai para Jeceaba.

Distribuição >> Receitas desiguais são problema
A cidade histórica de Congonhas tem receita mensal orçamentária de R$ 23 milhões para 48 mil habitantes. Conselheiro Lafaiete tem R$ 8 milhões para 130 mil habitantes. O prefeito de Conselheiro Lafaiete, José Milton Rocha, comparou as receitas para mostrar o desequilíbrio regional ao enfrentar problemas. "Lafaiete tem arrecadação baixa não sendo compatível com a atual população e nem com a nova população", explicou.
Entre os investimentos estão um hospital regional com R$ 14 milhões dos cofres estaduais que fica pronto em Lafaiete no ano que vem, uma unidade do Corpo de Bombeiros desde setembro do ano passado e a ligação da BR-040 até Ouro Branco, obra do governo do Estado com a Gerdau. (HL)

Imobiliário >> Lafaiete teve explosão de preços

Nos últimos quatro anos, os preços dos imóveis em Conselheiro Lafaiete duplicaram. O cálculo foi feito pelo proprietário da Construcenter, Geraldo Kennedy Neiva, e José Geraldo Santos, da Santos Imóveis.
O período coincide com a primeira expansão da Gerdau Açominas, o anúncio da instalação da Vallourec & Sumitomo Tubos do Brasil (VSB) e a expansão da CSN.
De acordo com os consultores, em 2006, um apartamento de três quartos custava cerca de R$ 70 mil. Agora, o mesmo imóvel não é vendido por menos do que R$ 150 mil no centro e em bairros. (HL)

Matéria original disponível em: http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=149593,OTE&busca=alto%20paraopeba&pagina=1

Leia também: Valor de plano de R$ 2,1 bi para evitar colapso é considerado baixo

 

 

                                                             

 
 

 

 

 
 
 

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